Guia Prático: Como Garantir a Conformidade Fiscal nas Contratações de Autônomos?

O risco invisível nas contratações do dia a dia

Contratar profissionais autônomos é uma prática comum em sindicatos: palestrantes, técnicos, instrutores de cursos, consultores, prestadores de serviços ocasionais.
Mas existe um detalhe que muitos gestores ignoram: essas contratações exigem cuidados fiscais rigorosos.

Um pequeno erro na retenção ou no registro pode gerar autuações, juros, multas e até responsabilização solidária da diretoria.

O objetivo deste guia é mostrar — de forma simples e prática — o que o sindicato precisa fazer para contratar autônomos com total segurança fiscal.

Por que a contratação de autônomos é tão sensível para sindicatos?

Ao contrário de empresas comuns, os sindicatos lidam com:

  • Recursos provenientes da categoria
  • Prestação de contas rigorosa
  • Exigências legais próprias
  • Auditorias internas e externas
  • Exposição direta da diretoria

Por isso, qualquer falha na contratação de autônomos se transforma rapidamente em um risco institucional.

E o mais perigoso: muitas dessas falhas passam despercebidas até o momento da fiscalização.

Os Erros Mais Comuns (e Custosos) na Contratação de Autônomos:

1. Não recolher os impostos obrigatórios

O sindicato tem obrigação de reter e recolher tributos do autônomo, como:

  • INSS (20%)
  • ISS (quando aplicável)
  • IRRF (quando aplicável)

Ignorar essas retenções gera multas retroativas e encargos que podem se estender por até 5 anos.

2. Não exigir a documentação correta

É obrigatório coletar:

  • Dados completos do prestador
  • Comprovante de inscrição no INSS
  • Inscrição municipal (quando for o caso)

Sem isso, qualquer auditoria transforma a contratação em risco jurídico e fiscal.

3. Classificar como autônomo alguém que deveria ser CLT

Se houver:

  • Subordinação
  • Recorrência
  • Horário fixo
  • Dependência econômica
  • Ordens diretas e controle de execução

O risco de vínculo empregatício é real.

E, nesse caso, o passivo trabalhista pode ser gigantesco.

Checklist Prático: Como Garantir a Conformidade Fiscal

Aqui está o passo a passo claro para o sindicato aplicar imediatamente:

1. Identifique corretamente o tipo de contratação

Antes de tudo, responda:

  • O serviço é eventual?
  • Há autonomia?
  • Existem ordens diretas?
  • Há habitualidade?

Se a resposta for “sim” para habitualidade + subordinação, não é autônomo — é risco trabalhista.

2. Faça o registro adequado da prestação

Inclua:

  • Descrição do serviço
  • Datas
  • Valores
  • Documentos comprobatórios
  • Tipo de retenção aplicada

Tudo deve ser arquivado e disponível para auditoria.

3. Calcule e recolha os tributos obrigatórios

O sindicato deve calcular corretamente:

  • INSS (retido + cota patronal, quando aplicável)
  • ISS (dependendo do município)
  • IRRF, conforme a tabela

Erros aqui representam 90% das autuações referentes a autônomos.

4. Registre tudo na contabilidade da entidade

Cada contratação deve estar:

  • No plano de contas
  • Vinculada a um centro de custo
  • Integrada ao orçamento
  • Com impacto medido no fluxo de caixa

É isso que permite ao sindicato prestar contas com transparência e segurança.

O Benefício: Contratação segura e diretoria protegida

Ao seguir esse guia, o sindicato:

✔ Evita multas e autuações;

✔ Garante credibilidade perante a categoria;

✔ Protege a diretoria de responsabilização solidária;

✔ Aumenta a transparência das contas;

✔ Ganha previsibilidade e controle financeiro.

Conformidade fiscal não é burocracia.

É blindagem institucional.

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